De longe esta foi a viagem em que eu mais ri aqui na Irlanda, ri de medo, ri de achar graça, ri de alegria devido a aventura… Ri de felicidade!

Quinta-feira, estava eu a uns 20min na Care Pharmacy esperando meus housemates, eles tinham ido abrir a conta no banco e depois disso iríamos fazer nossa primeira compra de supermercado. Eu estava feliz porque fazia sol e eu precisava lavar minhas roupas… E vocês sabem, sol na Irlanda é coisa de se aproveitar, pois é raro! Recebo então uma mensagem da Jú, dizendo: “Clá, o Danilo (namorado dela) e eu estamos de folga hoje e amanhã, isso é coisa rara!
Estamos vendo de alugar um carro saindo de Sligo (cidade vizinha, porque Bundoran é muito pequena e não tem locadora de veículo) e vamos fazer uma viagem para a Irlanda do Norte, visitar os principais pontos turísticos. Temos vaga para 3 no carro, você e os seus housemates (Marcelo e Rudgery) querem ir conosco? Dividindo os gastos fica baratinho para cada um! ”
Bom, pensei eu, vamos sim! Só vou confirmar com os meninos…, mas pera! E grana? Quanto será que esta viagem vai me custar? E também tem as roupas que preciso lavar…
Mensagem que vai, mensagem que vem, os meninos toparam então é isso aí! Se liberte! Não se preocupe! Se joga na estrada! Daí a Jú fala “Vocês têm 30min para estar na esquina, vamos de taxi para Sligo porque a rental car vai fechar. ”
Ok, lá vamos nós correndo para casa colocar uma muda de roupa na bolsa, avisar o namorado da viagem repentina e partiu Irlanda do Norte! Foi o que fizemos, e foi muito bom! Mas geralmente rola um stress antes de tudo dar certo né? Conosco não foi diferente… O pessoal da locadora havia prometido nos pegar no centro de Sligo com um transfer, pois fica mais afastada da cidade, só que o cara não aparecia, o Danilo aflito porque a locadora iria fechar em 10min, não atendiam o telefone…. Enquanto eles se preocupavam lá, eu comprava uma escova de dentes do outro lado da rua, simplesmente curtindo tudo e alheira a tal tensão pré-viagem.

Enfim, tudo certo, carro na mão, pé na estrada! Êeee, pera! Estamos na Irlanda do Norte!! Não temos internet aqui, afinal é outro país… Consequência? Sem GPS, sem internet e sem mapa de papel, seguimos as placas da estrada e o mapa off-line do celular.
Mudamos o roteiro inicial, pois iríamos para Belfast pernoitar lá e depois seguir para o Giant´s Causeway, mas percebemos que não teríamos tempo para este roteiro e ficaria mais caro, então seguimos sentido o Giant´s para ter melhor proveito, com isso nos perdemos, caiu a noite e não tínhamos onde dormir.

“Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte as amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.”

― Mark Twain

Agora pensa você, um carro com 5 pessoas, batendo de porta em porta de cada B&B que passávamos, em cidades muito pequenas e algumas delas mais pareciam cidade fantasma, tarde da noite e em cada lugar ou estava lotado ou fechado…  Sério! Eu estava ficando preocupada de verdade quando já passava das 22h e na estrada vimos uma destas rotatórias que te levam para cidade, tinha um MC Donald’s e logo a frente um hotel… Grande e bonito, então falei “um hotel, vamos ver a fortuna que irá custar… ou quem sabe eles não indicam outro hotel, talvez mais barato inclusive…” A Jú saiu do carro para perguntar a disponibilidade, eu fui junto, a porta do hotel é automática, “Jú, só por abrir a porta já são 20 euros” falo rindo de alegria por estar ali e preocupação com o valor.
O recepcionista parecia um boneco, destes fantoches de madeira, juro! Parecia muito! Eu fiquei ali parada ouvindo ele falar sem entender nenhuma palavra que saia daquela boca e imaginava que ali deveria ter articulação de parafuso, daí a Jú agradece e saindo me diz “sem disponibilidade e ele não conhece mais nada por aqui”. “Ok, são quase meia noite, podemos parar no MC Donald’s e dormir no estacionamento, pelo menos teremos Wi-Fi. Eu fico com o porta-malas! ” Falei rindo alto, neste momento estava realmente nervosa.
Sugestão ignorada, bora caçar um B&B para dormir…. Vimos uma casa, havíamos entendido que se tratava de um, a Jú desce para verificar, entra na casa, todos esperançosos e ela volta correndo toda assustada “Gente, entrei na casa de uma mulher! Ela estava lá cheia de gatos dentro da casa e me olhou com aquela cara de “Oi? O que faz DENTRO da minha casa? ”
Mais gargalhadas, eu chorei de rir literalmente, algumas cidades depois, já estava sem entender o porquê de tudo lotado em plena quinta-feira, chegamos em Portrush, cidade maior, uma rua de B&Bs e todos com a triste placa “No Vacancies” (Sem vagas). Mais risada de nervoso e eu realmente cogitando dormir no carro… Até que… O céu se abriu e o mundo parou! Uma placa com estrelas imaginárias informava disponibilidade, yes!! Não estamos mais na rua!! Festivos dentro do carro com a eminência de uma cama quente e um bom banho, volta do Danilo…. Está tudo apagado e a casa fechada. Ah não! Por tudo que há de mais sagrado, volta lá e acorda este povo, temos que entrar! E gente, quem busca sempre alcança! É importante não se desesperar, não perder a fé… (agora é fácil falar). Enfim, acordamos a mulher do An Uladh, que por sinal era um ótimo B&B, fechamos o lugar pois ela tinha só mais um quarto para 5 hospedes (parece filme, e só é a história da nossa viagem sem ficção). Então foi a vez dela de mudar a plaquinha para a fria “No Vacancies”.

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A vista do nosso quarto em Portrush

Café da manhã, lógico que precisava de mais gargalhadas né, e inocentemente fui eu quem promovi a cena hilária que só foi entendida depois.
Estávamos na mesa aguardando para nos servirem o café da manhã, e as duas moças estavam ocupadas em seus afazeres com outras mesas, mas como estávamos com pressa decidi me levantar e ir pedir ajuda. A moça então me acompanha até a mesa explicando que iria pedir ajuda para sua irmã para nos atender, pois estava com problemas de saúde…. Algumas explicações depois, ela saiu, nós olhamos um para o outro e não entendemos nada. Concluímos então que deve ser um costume dos ingleses, falar sobre situações que estão passando…. Estranho, pensar isso de um inglês, mas o que mais seria? Algumas paradas depois, fomos as ruínas do Dunluce Castle, linda vista! Como é possível descer para a parte externa do Castelo decidimos não pagar para entrar nele efetivamente. Algumas fotos rolando eu decidi pedir ajuda para um rapaz que estava próximo de nós, para bater uma foto do grupo…. Daí tudo foi explicado! Viro para ele na maior alegria de quem sabe ao menos o básico do Inglês “Can I help you? Take a photo for us? ”
O que eu disse “Posso te ajudar? Tira uma foto para nós? ”
O que eu queria dizer “Pode ME ajudar? Tira uma foto para nós? Sim, sim, todos começaram a rir, eu ri de tabela, mas sem entender exatamente. Fotos tiradas após o Danilo intervir e ajudar a falar com o carinha, todos vêm até mim rindo e falando “está explicado! A Clarissa ao invés de pedir ajuda para a mulher no B&B ela OFERECEU ajuda, e por isso a mulher coitada, veio se explicar para nós! Acabou com a moça oferecendo ajuda!

Chorei de rir novamente, afinal, gafe, quem nunca??

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Brazucas na Estrada – Os cinco aventureiros 🙂

Enfim, esta foi a história das trapalhadas na viagem mais engraçada que fiz aqui.

E você? Conte para nós sua história de viagem. Esperamos por você!

Abraços, e até breve!

Clarissa Aleixo

 

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